SÓ MAGIA TOP – 1d6 razões para jogar Maze Rats

Maze Rats é um RPG minimalista old school publicado pela primeira vez por Ben Milton, um prolífico e ativo membro da cena OSR americana, em especial da cena DIY OSR. Navegando principalmente pelo mar aberto por jogos como o The Black Hack – jogos que não tentam ser retroclones, de edições anteriores do jogo original e incorporam alguns elementos de jogos modernos em prol do minimalismo – Maze Rats é o próximo lançamento da Gentle Ogre.

Maze Rats é baseado em algumas poucas mecânicas de jogo, cada uma dessas mecânicas evoca na realidade uma premissa do que é a forma old school de jogar RPG. Vamos dar uma olhada um pouco mais detida em 1d6 delas, e pensar sobre o que elas significam, afinal:

1 Mais diálogo, descrição e narração e pouco rolamento de dados

Maze Rats é um jogo onde um rolamento de dados acontece apenas em momentos bastante decisivos para a trama. Uma simples checagem de rotina, uma situação bem descrita pelo jogador ou situações triviais são resolvidos apenas na base do diálogo, com os jogadores descrevendo suas ações e o mestre do jogo arbitrando essa situação, desde que o jogador descreva o que está fazendo, dialogue com os PdMs e narre os objetivos de seu personagem de uma maneira que não o coloque em p-e-r-i-g-o. Então em Maze Rats, se o personagem não sofre perigo, ele não rola os dados. As Jogadas de Perigo substituem as famosas jogadas de proteção comum a todas as edições do jogo original, e também o que em algumas situações se pediria um teste de atributo.

2 Desafios ao jogador não ao personagem

Os personagens criados pelos jogadores em Maze Rats não existem no mundo real. Assim como em qualquer outro RPG o personagem é apenas uma representação semiótica, nosso avatar em um mundo ficcional, nossa ferramenta em um universo desconhecido. Exatamente por isso, quando desejamos testar a força do personagem, nos utilizamos desse recurso, não há uma conexão física (ainda, transhumanismo um dia chega lá) entre o personagem e o jogador, existe porém uma conexão mental. E é por isso que Maze Rats separa os desafios mentais dos físicos porque ele direciona parte dos desafios ao personagem, e a outra parte dos desafios ao jogador. Maze Rats é um jogo um tanto cruel: nenhum rolamento de dados salvará uma interpretação ruim ou escolhas estúpidas.

3 Atente-se menos para a ficha e mais para a história que está sendo contada

Cento e setenta anos atrás, um pessoal comentou o seguintel:  “A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes.”  Boa parte dos conflitos e problemas das edições modernas do jogo original que levaram ao surgimento da OSR se devem ao fato de que as funções de cada jogador e personagem está limitada a sua função dentro do combate, o que o grupo de jogadores, e até mesmo o mestre, espera de cada jogador/personagem é o descrito em sua ficha. Maze Rats propõe uma solução elegante e radical para esse problema: aboliu-se as classes de personagem. Escolhendo opções diferentes ao longo dos avanços de níveis pode-se criar personagens com conceitos interessantes como o bárbaro que entende de rastreamento, o arqueiro acrobata, ou o feiticeiro que se esconde com facilidade nas sombras. Falando em magia chegamos ao nosso próximo ponto: o sistema de magia.

4 Um sistema de magia um pouco fora do convencional

O jogo original, desde sua primeira edição, utiliza o famigerado sistema Vanceano de magia. Esse sistema, presente na obra de Jack Vance baseia-se na ideia de que o personagem possui um número de magias a ser usada por dia. Ele então seleciona dentro das magias que conhece o número de magias que pode conjurar por dia, e após usá-la a magia se perde, é esquecida da mente do mago e deve ser preparada novamente no próximo dia. Maze Rats baseia-se em parte nesse sistema, mas existem algumas diferenças: uma magia só libera seu espaço após ser conjurada, isso significa que o conjurador não esquece suas magias todos os dias antes de dormir, apenas após usá-las. Esqueça os círculos de magia, as listas de magia ou coisas do tipo, aqui a coisa é muito mais severa. Maze Rats parte do princípio que os personagens não iniciam a campanha, ou mesmo a terminam, como sujeitos muito poderosos capazes de alterar a forma do universo com sua simples existência. Usuários de magia tem aqui, um poder muito menor do que a força que controlam, e por isso a magia que controla o usuário e não o usuário que controla a magia.

5 Um sistema de combate muito mortal

Apesar de ser um jogo baseado em diálogo, inevitavelmente um combate se iniciará. Os jogadores enfrentarão grupos rivais, monstros errantes, torneios caprichosos, confusões na taverna ou mesmo uma guerra. Maze Rats utiliza um único rolamento de dados para verificar o desfecho de um combate. Rola-se dois dados de seis faces, soma-se um eventual bônus de ataque (spoiler: quase nenhum personagem terá algo a somar aqui nos níveis baixos) e compara-se o valor com a armadura do oponente, a quantidade que ultrapassar é o dano que o personagem causa ao seu rival. Isso significa que o anjo caolho da morte está sempre rondando os personagens dos jogadores. Em qualquer nível, qualquer rolamento de dados em um combate pode ser mortal. E falando em rolamentos, todos os rolamentos do Mestre do Jogo são abertos por aqui, ou seja, ele não pode roubar nos dados para salvar seu personagem.

6 Muito poder para o Mestre do Jogo

Por se tratar de um jogo minimalista, muitas das coisas que estão em aberto (lembre-se um dos princípios de um jogo old school é “isso não é um bug, isso é parte do jogo”) devem ser decididas pelo Mestre do Jogo. Apesar de essa ser uma característica que pode ser estressante em diversos jogos, em Maze Rats exercer o papel de Mestre é muito prazeroso. As páginas finais do livro (após uma longa sequência de tabelas) são compostas de dicas valiosas para Mestres do Jogo de diferentes níveis dentro da perspectiva old school. O sistema premia Mestres que gostam de preparar suas sessões com antecedência, criando as tabelas de monstros errantes personalizadas e povoando a dungeon. Paradoxalmente, mestrar em Maze Rats exige um grau de habilidade em improviso. Os jogadores estarão a todo momento querendo evitar que combates se iniciem e Jogadas de Perigo sejam solicitadas, jogar nesse nível de tensão em geral força os jogadores a buscarem muitas situações fora da caixa, o que leva o jogo para caminhos não previstas no jogo.

Resumindo as 1d6 coisas que você precisa saber sobre Maze Rats:

  • 1- Dados só são rolados quando há perigo.
  • 2- Nenhum rolamento de dados salvará uma interpretação ruim.
  • 3- Não há classes de personagem.
  • 4- O sistema de magia é único, poderoso e aleatório.
  • 5- Você pode morrer em qualquer combate.
  • 6- O mestre do jogo não pode se apoiar em regras preguiçosas.

Maze Rats é um jogo sujo, parte do princípio que os personagens dos jogadores são párias, pessoas que negam o conforto da civilização para se aventurar por catacumbas, masmorras, ruínas e labirintos. Não há glória em ser um rato de labirintos, se esgueirando entre o musgo do tempo e os restos mortais dos que fracassaram antes de você, mas alguém tem que fazer esse trabalho sujo. Você topa?

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